sábado, 21 de janeiro de 2012

série: Vestígios de uma bomba não desarmável - parte I

Ei, mulher!
É janeiro,
E passará.
Eu tenho algo a dizer
antes que tu vá embora.

Estive por aqui
em tempos de distopia
com cem miríades de deuses.

A terra secou
revelando nuas dúvidas
dispersas no coração maculado.
Aurora não pôde ajudar.

Ei, mulher!
É janeiro,
E passará.
Eu tenho algo a dizer
antes que tu vá embora.

Estive por aqui
em tempos de distopia
com cem miríades de sonhos.

A luz raiou,
resvalando-se em olhos entumecidos,
encheu-se de medo
fugiu em ardente direção.

Ei, mulher!
É janeiro,
E passará.
Eu tenho algo a dizer
antes que tu vá embora.

Estive por aqui.
Dissonante...
Dores sós
vãs violências
efêmeras felicidades
dormem entre esquecidos e ignorados.
Tremi de medo

...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Intuinvasão - I

Desejo
Ensejo
Descontrole

O rio se extende,
a vida prossegue.
Água abaixo
Um humano sentimento.

Não há nada de novo aqui
São
Cousas
Sem lugar.

sentado no chão
O arredio espia.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

para os loucos, parte III - rascunhos

Qual,
tu que entras assim sorrindo
sem volta 
envolta em misterio
lar descansa
aperta algo enquanto
tsc tsc tsc
imprenso
no meu silencio
descalco
decalco frias
pegadas por ai

diminui e brota

prende e solta

expande e falta

mao pequena,
qual pensura
esmiuca me?
somente turva,
mente a pele vazia?
somente lenta,
mente a pele quente?
mete-se e mente-se
simulacros de nova inocencia
embaralhados em sopros doces
dementes
de mentes
quieta
e inconsciente

qual pensura
mao pequena
o vento sopra
as cenas veem


...

domingo, 1 de junho de 2008

rascunhos

noites sem pernas
assim eu não desando
assim eu não me enrolo

noites sem pernas
palpáveis
permutas

noites sem pernas
assim
sem vultos

noites sem pernas
plenas
obscenas

noites sem pernas
cama
tramas

noites sem pernas
assim
sem
só noites

para os loucos, parte II

Minha pequena e doce bailarina, que olhos atentos além de coloridos terá?

Certa vez um de meus mestres ensinou-me alguns passos para que eu pudesse ver novas matizes no mundo e o mundo mudou. Até então, não havia percebido o valor de gotas d’água no deserto, não a fim de saciar nossa sede, mas para despertar-nos anseio de vida.

Não houvesse o universo das "coisas reais", o que nos restaria além de um movimento, uma dança de magos e sábios através dos tempos, duelos, duetos, solos, seguidos, perseguidores dentre outros loucos? Devaneios compensados por arte, a fuga da realidade mergulhada na própria realidade. Arte de olhos atentos. Veja bem, jamais meros expectadores! Ativos! Falo daqueles que trafegam o universo dos pensamentos que derivam por ai, silenciosos e perdidos pelo ofuscar de coisas "maiores", recicláveis e autofágicas, falo de garimpeiros, que roubam nossos segredos, desvendam nossos mistérios e nos "corrompem" com "papel e caneta".

Incongruentes a estimada ordem social, o olhar que se esvai, se perde, deixa de conhecer aquilo que concebe e transforma, viciam-se. O olhar que se "adapta" ao meio torna o meio um ambiente de sobrevivência, de eterno retrocesso. Subjugando expressões de vida e arte, suprimindo manifestações culturais, criando e destruindo objetos de culto (reciclando), o desejo atravessa muralhas seculares de liberdade e nos gera espanto e pavor sobre nossas obviedades obscurecidas, ou seja, não se trata de sermos bons ou maus, mas de conservarmos nossa inabilidade de adaptação de "bandos", nossa inabilidade de práxis social. A lei, que provavelmente foi desenvolvida a fim de solucionar impasses extraordinários banalizou-se, prescrevendo crime e pena, não adverte ou conduz o homem a fim de que esses possam conviver, no entanto, legaliza o crime assumindo a capacidade julgá-los, sendo que é incapaz de conter seu desenvolvimento. Noutras palavras, o crime só passa a ser crime quando houver a possibilidade dele ser julgado. Talvez, além de cega, houvesse de ser muda e invisível, porém haveria o impasse, haveria medo. O olhar não pode estar subordinado as "coisas reais", olhar é devir, é um rio que não se esquece de si.

Minha cara aprendiz de olhos coloridos, não se trata de retratar a peculiaridade do olhar sobre demais sentidos, ou cantar fruto bem desenvolvido da genética com fins obtusos, trata sim de relatar a importância que singelo gesto pressupõe; um universo indeterminado de ações e mudanças, assim como os inversos se correspondem. Não se trata, porém, de atirar "cegos" a fogueiras, mas impedir que o lume que nos permite enxergar não se extinga.

Pequena bailarina, não acredito que quando assim lhe chamo, possas ter por algum instante passado por sua cabeça um trio elétrico e pessoas rebolando, mas arriscaria dizer que pôs-se a imaginar algo mais sereno ou "formal", mais contemplável, e acaso eu esteja certo, é pelo fato dos signos serem fortes. Seu deserto era de areia? Talvez pudesse ter sido um oceano, o mar salgado onde gotas d’água doce são tão preciosas... Não decorre aqui um julgamento, mas uma forma de explicitar como palavras sólidas podem contar idéias distintas e manter-me a salvo de algumas relutâncias inconvenientes.

Meu olhar cansado já não consegue dizer muita coisa. Reescrever-me se mostra uma tarefa cansativa, talvez por ser nova. São as constantes mudanças de foco...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

rascunhos..

Quando tudo é mesma coisa
ao mesmo tempo
a todo tempo
um meio
reduto para meus pensamentos
falta.
Eu não proclamo nada
deixo meus pedaços espalhados por aí,
na esperança de um tropeço,
recebo um chute.

eu não sou daqui,
deram cabo do meu lugar
e simplesmente não sei aonde ir.

sábado, 15 de março de 2008

para os loucos, parte I

intensamente clara
palavras absurdas, absolutas,
olhos mudos e inundos
de alguma coisa q se espalha no ar...

...abstrata

delírios
pensamentos sem donos
só códigos
só pensar

nimbos coloridos

nimbos sem tradução